Carnaval em 2022 pode ser oportunidade para surgimento de novas variantes do coronavírus, diz especialista

Para médico sanitarista, as afirmações de autoridades governamentais que já estimam uma média de público para o evento 'atendem a um desejo coletivo legítimo, mas não têm qualquer propósito técnico ou científico'

Foto: Pixabay

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O avanço da vacinação e a queda no número de óbitos por Covid-19 no Brasil alimentam uma esperança necessária de retomar grandes eventos culturais, porém, a realidade ainda se traduz em um longo caminho a percorrer. Enquanto autoridades públicas já citam a possível realização do Carnaval de rua em 2022, o médico sanitarista e professor de Saúde Pública e Epidemiologia, Sérgio Zanetta, avalia que as falas atendem a um desejo coletivo legítimo, mas sem qualquer propósito técnico ou científico.

"Como o vírus se propaga a partir do contato entre as pessoas, pode ser um momento de intensa transmissão do vírus. Manter (o evento) significa manter a possibilidade de que novas variantes sejam desenvolvidas. Então, a possibilidade de liberação de atividades como o Carnaval não é mais que um desejo. Não há fundamento para a liberação dessas atividades", afirma.

O especialista declara que em 2022, portanto, ainda teremos a transmissão do vírus. Embora as pessoas vacinadas se contaminem menos – a probabilidade de contrair o vírus após receber a vacina varia de 51 a 70% –, esse público ainda pode ser infectado pelo Coronavirus e se tornar um transmissor.

"A expectativa de que estaríamos em condições de circular sem máscara e sem distanciamento, e realizar aglomerações como as do Carnaval, mesmo com a previsão da vacina, é ignorar os seguintes fatos: a pandemia não terá desaparecido até lá. Ela provavelmente persistirá pelo próximo ano inteiro, talvez mais um ano. Depende de uma série de inovações e descobertas, mas também de transformações que podem ocorrer no curso da doença", explica.