Investidores questionam projeto de criptomoeda não lançado em 2019

Eles alegam que criadores pegaram dinheiro investido estão sendo usados para 'outros fins'

Foto: Instagram USD Soccer

Foto: Instagram USD Soccer

Empresários e investidores questionam os responsáveis pelo projeto USD Soccer (moeda criptografada que seria lançada em novembro de 2019) e pretendem acionar a Justiça e denunciá-los por estelionato e organização criminosa. Segundo alguns investidores ouvidos pelo portal, em evento do pré-lançamento da USD Soccer, realizado na China em 2019, "captaram" esses investidores para o projeto. Mas que, passados quase dois anos, viram o dinheiro investido "sumir".

"Fizeram esse evento em novembro de 2019 na China, até hoje não foi lançado, contam histórias e é a cara do golpe. Nenhum dos sócios, tem nada registrado em seu nome, sem colocar nenhum patrimônio. Nem ele, nem esposa. Eles se estruturaram em equipe de 3 a 4 pessoas para fraudar e prejudicar clientes que investiram e os serviços que não foram entregues e não tiveram nenhum tipo de retorno", disse um investidor que pediu anonimato.

"Isso fica claro que se organizaram de forma premeditada, eles não possuem nenhum tipo de bem. Carro, imóvel. Parece que pensaram direitinho. É uma organização criminosa. Prometeram uma coisa e não entregaram até hoje. Investi 100 mil, teve gente que investiu 300 mil, gente que vendeu casa, carro e investiu. Pessoas com depressão, gente do Brasil inteiro, do sul do país, de Alto Floresta (MT), de todos os cantos", relatou outra investidora.

Mudanças de nome e de donos

A USD Soccer mudou de nome. Hoje, se chama USD Sport. Anunciaram, inclusive, lançamento na Cripto Week, evento voltado ao mercado de moedas criptografadas e realizado em abril deste ano. Mas também não saiu do papel.

Hoje, o empresário Abílio Freire, da DayBit Investimentos, é o responsável pelo projeto. Procuramos o Abílio, que pediu dois dias para responder a reportagem, mas não se manifestoi até o fechamento da mesma.

Problemas com times de futebol

A USD Soccer veio à tona após o zagueiro uruguaio Walter Ibãnez acionar a All Inn Assessoria Esportiva —responsável pela criptomoeda no Brasil — em um processo contra o Vila Nova-GO por créditos trabalhistas no Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-18) no qual cobra R$ 350 mil. O atleta chegou a firmar um pré-contrato com o time, mas nunca chegou a jogar pelo clube. Mesmo assim, ainda alega ter dinheiro a receber.

A USD Soccer esteve presente em um episódio envolvendo a Chapecoense, time da cidade de Chapecó (SC).

Após anunciar a criptomoeda como patrocinadora no ano passado, o clube teve adiado para abril de 2020 um repasse que era aguardado para outubro do ano anterior. As informações são do portal do Bitcoin

Em seu site oficial, o clube informou que, "a Associação Chapecoense de Futebol confirma a parceria com a criptomoeda USD SOCCER, ratificando a confiança no projeto e em seus membros.

Por existir cláusula de confidencialidade, as notícias veiculadas, seja de valores, pagamento ou distrato, não são confirmadas oficialmente pelo Clube.

Todavia, afirmamos que se tratando de negócio que envolve estruturas no Brasil e na China, para a consecução do projeto, ocorrem situações típicas de burocracias naturais, que estão sendo resolvidas.

A Associação Chapecoense de Futebol se reserva ao direito de, oportunamente, trazer quaisquer novos detalhes sobre este tema".