Após demitir quase 100 funcionários. Rádio Tupi prepara mudança de São Cristóvão para o Centro

Emissora deixa a Rua Fonseca Telles após permanecer no local por quase sete anos

Após demitir quase 100 funcionários. Rádio Tupi prepara mudança de São Cristóvão para o Centro
"Agora, na Rua Fonseca Telles,no bairro imperial de São Cristóvão..." é uma frase comumente dita no noticiário "Sentinelas da Tupi", levado ao vivo sempre aos 25 de cada hora em que é veiculado. Mas tanto o endereço quanto a expressão "bairro imperial" deixarão de ser anunciados em breve pelo fato da Super Rádio Tupi estar de mudança após ficar quase sete anos no local.

A emissora pertencente aos Diários Associados vai se mudar para um imóvel no Centro da cidade, na região do Castelo. Segundo uma mensagem que corre pelo WhatsApp, o imóvel fica entre as ruas Graças Aranha e Franklin Roosevelt. De acordo com apuração do Grande Tijuca, o novo endereço seria próximo da Igreja de Santa Luzia, quase ao lado da sede da OAB-RJ. E o futuro do prédio em São Cristóvão é um ponto de interrogação.

Ainda segundo a mensagem que circula pelo WhatsApp, o imóbel no bairro imperial foi vendido e "o valor será utilizado para saldar dívidas e abastecer os cofres", já que a emissora tem uma série de ações na Justiça do Trabalho por rescisões não pagas após uma demissão em massa ocorrida em 2016. Na ocasião, funcionários chegaram a ficar em greve por estarem sem receber salários há pelo menos seis meses, além de não terem recolhidos o FGTS e os pagamentos de previdência ao INSS.

Ainda de acordo com o comunicado que rola pelo aplicativo de mensagens, "a empresa criou uma conta onde é depositado o valor do acordo trabalhista. O jurídico está aguardando uma posição do TRT para depositar os atrasados do ato trabalhista", já que este depósito está momentaneamente suspenso por causa da pandemia, pois a direção da rádio fez este pedido de suspensão temporária do pagamento na Justiça. Mas de acordo com fontes consultadas pelo GT, a história é um pouco diferente.

Realmente, o imóvel em São Cristóvão seria uma garantia de pagamento dos atrasados e de quem ganhou a ação trabalhista na Justiça em todas as instâncias e até hoje aguarda receber o valor. Mas ao contrário do que diz o comunicado, o prédio não teria sido vendido até o momento e estaria aguardando um comprador que depositaria o valor em uma conta judicial, caso alguém interessado efetue, de fato, a compra do que se tornará na antiga sede da emissora.

Imóvel comprado através de novo CNPJ

Alguém pode questionar como a Tupi conseguiu comprar um novo imóvel mergulhada em dívidas trabalhistas e fiscais. A resposta é simples: graças a um novo CNPJ, que foi aberto em maio de 2019.

De acordo com documento consultado diretamente no site da Receita Federal, a empresa Tupi Mídia surgiu em 29 de maio do ano em questão. O motivo é ter um nome limpo, livre de dívidas para fazer qualquer tipo de transação comercial, já que o outro CNPJ, o Sociedade Anônima Rádio Tupi é que se encontra "sujo" judicialmente.

O prédio da Rua Fonseca Teles se encontra como propriedade do CNPJ antigo.

Demissões em massa e fim das transmissões AM

Desde a última semana que quase 100 funcionários foram desligados da emissora, e todos os departamentos foram impactados, como financeiro, comercial, recursos humanos, administrativo, jurídico, produção, operadores, jornalismo e esporte. Os responsáveis demitiram, inclusive, todos os porteiros e vigias.

De todas as demissões a que mais causou consternação entre os que seguem trabalhando foi a de uma senhora conhecida como "Dona Maria", que servia o café a todos os jornalistas. Marcada pelo sorriso fácil e cativante, ela estava com quase 50 anos de casa.

No jornalismo dois nomes foram desligados, o de Marcos Frederico e o da repórter Diana Rogers, que fora demitida antes do "passaralho" por supostamente bater de frente com Márcia Pinho, chefe do departamento. Ainda de acordo com alguns funcionários, a comandante dessa área tem problemas de relacionamento com alguns profissionais que integram o jornalismo da emissora. Ela também "não se bica muito" com a produção de alguns programas.

No esporte, Geraldo Sena. E, o que consta, Ricardo Moreira também será. Ambos já chegaram a ser narradores e apresentadores de programas esportivos, mas perderam espaço para outros nomes. A tendência é que se solidifique nesse departamento o pessoal de confiança de José Carlos Araújo, principal narrador da emissora.

Segundo apuração do GT, as transmissões em AM serão encerradas em definitivo em até três meses. A Tupi já se preparava para acabar com tal tipo de transmissão e chegava a ficar fora do ar em alguns horários nessa frequência. Mas com a demissão de todos os técnicos que ficavam em Itaoca, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, agora já se sabe que os 1280 kHz terão um ponto final após mais de 85 anos de história.

Mudança para a Barra foi descartada

Apesar dos preparativos para a mudança ao Centro, por muito pouco a Tupi não se mudou para a Barra da Tijuca, na Zona Oeste. A diretoria e a presidência chegaram a ver imóveis pela região e houve até um "lobby" a favor dessa mudança pelo fato dos principais nomes morarem pela área, como José Carlos Araújo, Washington Rodrigues, Clóvis Monteiro, Mário Belisário e Wagner Menezes.

Mas após uma série de testes, concluiu-se que seria inviável fazer a transmissão em FM pela região pelo fato da qualidade de som não ter agradado e de não ser possível fazer melhorias técnicas para isso.

O antigo prédio da emissora, na Rua do Livramento, 189, no Santo Cristo, na Zona Portuária, foi vendido em 2014 por R$ 35 milhões à SPE Porto Maravilha Offices, empresa do ramo petrolífero. Mas de acordo com publicação feita em dezembro do ano passado pelo site Agenda Bafafá, o grupo desistiu de tomar posse após a Lava Jato estourar. Como consequência do abandono, o prédio foi saqueado e se encontra completamente "limpo" em seu interior.

Entramos em contato com o presidente da Tupi, Josemar Gimenez. Questionamos sobre esses pontos citados, como as demissões, mudança de sede, se o imóvel de São Cristóvão será vendido e se ocorresse a venda, as dívidas trabalhistas seriam quitadas, entre outras perguntas. Mas ele, em áudio, recusou a se pronunciar sobre o caso.