Alexandre Knoploch: 'É importante todas as unidades policiais se comunicarem, traçar estratégias e soluções'

Deputado estadual fala sobre segurança na região da Grande Tijuca e da ampliação do Tijuca Presente

Foto: Rodrigo Rebechi

Foto: Rodrigo Rebechi

Na última segunda, o deputado estadual Alexandre Knoploch (PSL) conseguiu articular a ampliação do Tijuca e Vila Isabel Presente para dois pontos de complexidade social: o Largo da Segunda-Feira e o Trevo da UERJ, áreas com altos índices de moradores de rua e usuários de drogas. O portal Grande Tijuca esteve no escritório do parlamentar para debater sobre segurança pública. O deputado apontou falhas, soluções e deu recado para quem quer viver à margem: "Acabou a bagunça"

GT – Uma das grandes reclamações dos moradores da região é o índice de roubos e furtos residenciais, principalmente à noite.

O problema é que o programa Segurança Presente ele é voltado mais para comércio de rua. O que tá sendo feito agora pela Polícia Militar, e que é uma bola dentro do Claudio (Castro, governador em exercício), é o Bairro Seguro, que é parecido com o Segurança Presente, que é isso que o povo Tijucano quer para esses ambientes. Temos roubos nas ruas, domiciliares. Esses furtos de madrugada, de metais e fios, o Bairro Seguro poderá coibir. O Segurança Presente é mais comercial.

O efetivo hoje do 6ºBPM é de aproximadamente de 400 homens. O Recom precisa ajudar mais também. O Recom precisa rodar, auxiliar o sexto. É um problema que tem que ser resolvido.

GT – O Tijuca e Vila Presente agora terá área ampliada, divulgada pelo senhor. Muitos desejam a ampliação do horário. É possível?

Sobre a ampliação do pessoal, isso foi uma negociação árdua. Por que a dificuldade de ampliar esse programa? Porque a Polícia não libera policiais para atuação. É preciso aumentar efetivo. Fizemos uma negociação para colocar seis na Tijuca e quatro em Vila Isabel. A gente acaba com essa cracolândia de Vila Isabel, onde eles saem pra roubar na Tijuca e voltam pra dormir lá.

Mas claro que muitos problemas ocorrem após 20h. Acho difícil ampliar o Segurança Presente. É preciso cobrir esse horário noturno. É importante todas as unidades policiais se comunicarem, traçar estratégias e soluções. A ausência da reunião do conselho comunitário, por causa da pandemia, faz muita falta. Ali que tem que ser debatido.

GT – Há possibilidades de ampliação do número de policiais no 6ºBPM?

Há uma necessidade disso. O batalhão já chegou a ter mil militares, hoje tem em torno de 400. É preciso formar novos homens. É uma briga que tenho. O 6º é um batalhão que forma militares. Há problemas externos que atrapalham. O MP-RJ entrou com uma ação pedindo pra não vacinar policiais, dizendo que não são grupos de risco. Como isso? Eles estão em contato com todo mundo. E policiais com Covid o que acontece? Dá baixa. Deu baixa, não trabalha, falta efetivo. É simples.

Mesmo assim, a Grande Tijuca é uma das regiões mais bem policiadas do Rio. É que não dá pra ter um policial pra cada habitante. E o que se tem de tralha na Grande Tijuca é considerável.

GT – O comércio de ferro-velho, que compra esses fios, cabos e metais roubados, é difícil de frear?

Estivemos naquele ferro velho da Uerj, documentação está ok. Alvará, tem tudo. Só se a prefeitura suspender. Mas eles são receptadores oficiais. Eles deveriam saber, tecnicamente, a procedência desses fios. É preceito básico de mercado. Se você compra carne, você quer saber a origem. O problema desses roubos às vezes é falta de lei. Eu suplico pra reunir poder legislativo, os comandantes, os delegados da região, Prefeitura, sentar todo mundo, dá uma sufocada nas comunidades. Ah, mas o Supremo falou que não pode. Mentira. Eles querem que as operações sejam comunicadas no MP-RJ e não ser uma coisa ordinária e sim extraordinária.

GT – Ainda falando sobre roubos de cabos, metais. Quem rouba, normalmente, são esses moradores de rua e usuários de drogas. Como acabar com isso?

O morador de rua, o usuário de drogas que quiser assistência, que quiser mudar de vida, iremos dar toda assistência. Temos as estruturas dos CAS, mesmo ruins. Mas vamos levar também pra igrejas que fazem acolhimento. Todos aqueles que quiserem sair dessa vida, vamos fazer. É o trabalho do poder publico e é de qualquer conceito cristão. Mas aqueles que quiserem ficar no roubo, aterrorizando, esse aí vai ser no esculacho. Vamos tirar dali. Acabou a bagunça. Morador paga IPTU caro, comerciante paga ICMS e ISS caros. Morador de rua não é marginal. Usuário de drogas não é traficante. O poder publico tem que olhar, claro, pra essas pessoas. Temos a função de recuperar as pessoas. Mas aquele que quiser. Os que não quiserem, uma hora vão ganhar, mas na maioria das vezes outras vão perder.