Igreja dos Capuchinhos: uma história que conta a cidade

Você sabe, a Igreja é famosa. Toda primeira sexta-feira do ano ela fica lotada em busca da tradicional benção dos capuchinhos. Mas você sabia que a igreja não é original da Tijuca? Conheça agora a história da igreja feita em homenagem ao padroeiro do Rio de Janeiro.

Originalmente, a Igreja de São Sebastião ficava no Morro do Castelo, cuja existência foi de 1567 até 1922, quando o morro foi posto abaixo para dar lugar a modernidade, como você já viu aqui na Coluna.

Trazida da Igreja do Morro do Castelo, ela foi reconstruída por Salvador de Sá em 1583.Para o local foram transportados as "Relíquias Históricas da Cidade": os restos mortais do fundador da cidade do Rio de Janeiro, Estácio de Sá, morto em 1567; o marco zero da cidade fundada em 1565, e a pequena imagem de São Sebastião de 1563. Em 1842, a Igreja de São Sebastião do Castelo fora entregue aos cuidados dos frades capuchinhos, que permaneceram até sua demolição.

A nova Igreja foi construída entre 1928 e 1931, e mantém algumas partes da antiga Igreja, como o marco de pedra da fundação da cidade com o escudo português esculpido, a imagem original de São Sebastião da igreja antiga e a lápide tumular de Estácio de Sá, fundador da cidade. A lápide é dotada do brasão esculpido em alto-relevo do fundador e uma inscrição comemorativa. A inscrição indica que esta foi mandada fazer por Salvador Correia de Sá, primo de Estácio, em 1583. O translado dos restos do fundador para a igreja ocorreu em 1931 e foi um grande evento na cidade.

Ela possui um estilo neo-bizantino com reminiscências neorromânicas. Seu interior é ricamente decorado com vitrais, mosaicos e mármores coloridos, inspirados no estilo revivalista do Mosteiro de Beuron, na Alemanha. Entre 1941 e 1942 a fachada foi alterada pelo arquiteto italiano Ricardo Buffa, também autor do altar-mor.

A Igreja de São Sebastião dos Capuchinhos foi elevada a paróquia em 9 de janeiro de 1947 pelo Cardeal Arcebispo Dom Jaime de Barros Câmara. No dia 8 de junho, instalou-se a nova paróquia de São Sebastião do Antigo Castelo tendo como primeiro pároco o Frei Jacinto de Palazzolo. Foi dada novamente aos capuchinhos a guardiania das "Relíquias Históricas da Cidade do Rio de Janeiro".

Toda primeira sexta-feira do ano é realizada uma série de missas, de hora em hora, em que ao final, os frades abençoam as pessoas numa verdadeira chuva de agua benta, para abençoar o ano que se inicia. Outro evento é justamente a procissão de São Sebastião, que sai da Igreja, passando pela Catedral Metropolitana até chegar na Praça do Russel, onde sempre é realizado um auto sobre a vida do padroeiro.

Quem foi São Sebastião

De acordo com a própria Igreja, ele foi um soldado imperial que, ao alcançar a posição de Capitão, aproveitava para confortar os cristãos quando denunciados ou condenados à morte. O Imperador Diocleciano, ao perceber que Sebastião era um cristão o detém e o obriga a renunciar sua fé. Não o fez e foi destituído, torturado, amarrado a uma arvore e alvejado com flechas.

Resistindo à tortura que lhe fora imposta, sobrevive e, ainda assim manifesta ao imperador sua reprovação pela violência praticada contra inocentes como eram os cristãos. Essa atitude lhe custa a condenação à morte. Veio a falecer no ano 303, entre tormentos, pauladas e boladas de chumbo.

Torna-se padroeiro da cidade do Rio de Janeiro no ano de sua fundação em 1565, dando o seu nome para a cidade.

Sim, a cidade se chama São Sebastião do Rio de Janeiro