Andaraí: um dos bairros mais antigos do Rio

Fábrica Meuron no Andaraí. Óleo sobre tela de Jean-Jacques François Coindet pintado no século XIX pertencente à Pinacoteca do Estado de São Paulo

Fábrica Meuron no Andaraí. Óleo sobre tela de Jean-Jacques François Coindet pintado no século XIX pertencente à Pinacoteca do Estado de São Paulo

Dando seguimento a nossa viagem pela História da Grande Tijuca, chegamos ao bairro do Andaraí, que, na grafia antiga se escrevia "Andarahy".

Ele é um dos primeiros bairros da cidade, tendo seu nome proveniente da composição de duas palavras indígenas, andyrá , que significa morcego e y , que quer dizer rio, significando "rio dos morcegos" na língua tupi antiga dos tamoios, que habitavam a região. Hoje esse rio é o famoso Rio Joana, que atravessa o bairro e a rua Maxwell.

Fora ocupado por padres jesuítas no século XVI para o cultivo de cana-de-açúcar, e era dividido em Andaraí Grande (hoje Vila Isabel, Grajaú e Aldeia Campista) e Andaraí Pequeno (Tijuca).

Os jesuítas, sob influência de Mem de Sá, receberam a Sesmaria de Iguaçu, que ia desde o que hoje é o Rio Comprido até Inhaúma. Logo de início os Jesuítas instalaram na parte mais próxima à cidade o seu primeiro engenho de cana-de-açúcar, chamada de Fazenda de São Francisco Xavier. Entre 1572 e 1583, a sesmaria foi desmembrada e surgiram mais dois engenhos que foram denominados de: Fazenda de São Cristóvão e Fazenda do Engenho Novo, e o primitivo engenho passou a ser chamada de: São Francisco Xavier do Engenho Velho.

Este primeiro engenho tinha terras que se estendiam para o norte da cidade até o Andaraí, O Andaraí Pequeno virou Tijuca ainda no século XIX e parte do Andaraí Grande foi incorporado à Tijuca nos recentes anos de 1970. Tijuca no início era a serra, a floresta e o pico.

O bairro é citado no grande romance Helena, de Machado de Assis. A primeira rua aberta no bairro foi a "Estrada do Andarahy", em 1875, hoje Rua Barão de Mesquita.

A partir de meados do século XIX, o Andaraí tornou-se um bairro industrial, com a instalação da primeira fábrica de tecidos do Rio de Janeiro: a Fábrica São Pedro de Alcântara de Tecidos de Algodão. Ao lado da fábrica, foi fundado o Hospital Militar do Andarahy Grande, onde atualmente é o Batalhão Zenóbio da Costa (1º Batalhão da Polícia do Exército), localizado entre a Rua Barão de Mesquita e a Avenida Maracanã.

Diversos outros estabelecimentos industriais e comerciais foram para o bairro, como América Fabril (onde atualmente localizam-se a ASBAC, a sede de Compensação Nacional do Banco do Brasil e o Núcleo Habitacional Solaris da Torre mais conhecido por "Tijolinho"), Knoll, Atkinson e a Companhia Hanseática (onde funcionou a Cervejaria Brahma até final da década de 1990, área que hoje é o Supermercado Extra, na rua José Higino).

Por causa da grande industrialização, várias vilas operárias foram se formando no entorno das fábricas. Atualmente muitas das moradias dos antigos operários ainda estão preservadas. No século XX, o bairro deixou de lado sua virtude industrial e passou a ser um bairro residencial, com a construção de inúmeros condomínios e edifícios.

O bairro já abrigou o estádio do América Football Club, na Rua Barão de São Francisco, onde hoje é o Boulevard Shopping.

Com a criação do Estado da Guanabara, os limites do Andaraí foram reduzidos e definidos como começando na praça Lamartine Babo, entrando pela Rua Gonzaga Bastos e subindo em toda a extensão da rua Teodoro da Silva; dobrando na rua Barão do Bom Retiro, subindo a rua Borda do Mato até a serra; seguindo por toda a extensão da rua Uruguai até o Rio Maracanã, onde se limita com a Tijuca, Em 2003, a telenovela Celebridade, foi, em parte, ambientada no bairro.