População em situação de rua...Não dá para esperar nem mais um minuto sequer

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Eu já pensei várias vezes como seria passar uma noite na rua.
Deitado em uma calçada (provavelmente embaixo de uma marquise) tentando dormir.
Dormir? Com o nariz a dois dedos do chão?
O chão de uma calçada, evidentemente, muito contaminada.
E totalmente vulnerável!
Sujeito a todo tipo de insetos: mosquitos, moscas, formigas, baratas, ratos...
Completamente inseguro em relação ao ser humano.
São idosos, famílias, jovens e mulheres vivendo nas ruas.
O assédio físico, a vulnerabilidade e a violência a que essas pessoas estão sujeitas.
É totalmente indigno alguém ter que dormir em uma calçada ao relento.
Não importa o motivo, mas se alguém "mora em uma calçada", a sociedade precisa progredir.
Quem são essas pessoas que "moram e dormem" nas calçadas? Vagabundos? Preguiçosos?
Dependentes de álcool? "Cracudos"?
Não importa. Ninguém tem que morar na rua nem dormir na calçada.
Se alguém está "morando" na rua, a política pública de proteção, moradia, saúde, assistencialismo,
economia (sim, economia), educação e saúde pública falharam.
A humanidade falhou.
E a economia é um capítulo à parte.
No Rio de Janeiro, são mais de 15.000 pessoas "que moram" nas ruas fora do mercado de trabalho.
Os comerciantes, de uma maneira geral, têm uma péssima relação com os "moradores de rua" que podem "espantar" consumidores dos seus estabelecimentos e infelizmente isso acontece.
E nós que temos um teto sobre as nossas cabeças e travesseiros, lençóis etc a nos proteger e dar conforto,
como reagimos ao nos depararmos com esses excluídos nas calçadas?
Na maioria das vezes, para nos defender, com indiferença.
Culpamos o acaso, o destino ou a opção desses cidadãos.
Outras vezes acreditamos que somos merecedores de um teto dentro de uma sociedade pseudo meritocrática.
É necessário mais empatia. Tentar se colocar no lugar do outro.
Alguns desses "moradores" têm referência domiciliar, usam a rua para sobreviver.
É muito importante um mapeamento com todos os dados possíveis.
Conhecer a realidade. Quem são essas pessoas? Por que vivem na rua? Do que precisam?
É urgente que tomemos providências reais e duradouras e não só ações paliativas e até hipócritas.
Maquiar o problema é tão somente empurrá-lo para o dia seguinte.
As informações que temos sobre os abrigos da Prefeitura são as piores possíveis.
E isso prejudica muito as ações de acolhimento.
Não é a segurança do estado que tem que resolver esse problema tão complexo de carácter humanitário.
Precisa ser tratado pela assistência social, ter apoio econômico, educativo e de saúde.
O poder público, a iniciativa privada e as instituições religiosas devem trabalhar seriamente e juntas em busca de soluções.
E isso devia começar ontem. Não dá para esperar nem mais um minuto sequer.