Em tempos de pandemia, a enfermagem constrói e reforça vínculos

Por Deilza Senra

Arquivo pessoal

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Comprende-se que a construção de vínculos, além de corresponder à política de humanização em saúde, é um recurso terapêutico que qualifica o trabalho realizado pelos enfermeiros e sua equipe. Esse vínculo é estabelecido na relação de confiança entre profissionais e usuários de saúde, tanto no âmbito coletivo quanto individualmente.

Desse modo, isso constitui e reforça um importante fator na busca da adesão ao tratamento e da cura. Em tempos de pandemia do novo coronavírus e atendimento de emergência, onde o enfermeiro faz a abordagem inicial ao cuidado intensivo e/ou menos complexo, há anos, não se honrava tanto a equipe de enfermagem.

Acredita-se que, após a pandemia, o reconhecimento e o respeito continue por parte da coletividade. Tal visão posiciona a profissão como parte essencial na linha de frente. Afinal, a classe está lutando com um inimigo invisível em uma guerra sem balas, mas num campo de batalha com mortes reais, além da escassez de insumos e pessoal.

Neste cenário, poderia o mundo esquivar-se, mas a enfermagem sempre estaria aqui, estabelecendo vínculos reais e resistentes. Trabalhando com maestria no que tange o cuidado. Tendo como principal aliado o profissionalismo e a vontade de servir a todos que necessitam dos seus cuidados.

Por tal motivo, é importante não esquecer que esses profissionais são seres humanos e necessitam de cuidado. A enfermagem é composta por pessoas reais e, apesar de aparentarem, não são super heróis dos quadrinhos. Aliás, hoje, 24% da categoria estão com mais de 45 anos.

Deilza Senra é enfermeira emergencista e também atua em programas da Saúde da Família. Ela está na linha de frente do Covid-19.